sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Em Alemão...




Há gente que abusa de palavras em outras idiomas. Esnobismo estúpido. Isso pode ser visto em lojas que preferem trocar o "desconto" por "off". A gente se acostuma com tudo, e com o tempo incorporamos esse macaquismo ao nosso dia-a-dia.

Mas há palavras em outras línguas que tem o dom da concisão. Isso pode ser observado pelo uso assumido destas palavras mundo afora, como um consenso de que determinadas situações, ou sensações, só conseguem ser abarcadas num único termo apenas em determinados idiomas. Um exemplo: "déjà-vu". Palavrinha que resume uma gama imensa de explicações, bem melhor do que dizer "sensação de algo-já-visto". Temos em nossa língua a palavra "saudade", sentimento que em determinados idiomas requer frases inteiras para se explicar. Caetano Veloso, na música Língua,já cantava: "está provado que só é possível filosofar em alemão".

Passei boa parte da tarde buscando um termo que conseguisse expressar a sensação de prazer que sentimos com a desgraça alheia. É como se sente o flamenguista com um tropeço do Vasco. Ou então, no caso da política, a sensação deliciosa de ver um figurão ser pego com a boca na botija.

Qual a palavra? Pois é, não encontrei. Mas um amigo, craque na versatilidade semântica do alemão, contou-me que Schadenfreude quer dizer exatamente isso. E é uma palavrinha tão porreta que americanos e ingleses a utilizam com freqüência há tempos. O uso já é tão comum que nem é preciso mais explicar seu significado.

Agora, de posse dessa maravilhosa e estranha palavra, já posso dizer como me sinto quando vejo um corrupto virar capa de revista: Schadenfreude. Ou então quando nossos vizinhos argentinos perdem um jogo internacional, de preferência na copa do Mundo, valendo desclassificação: Schadenfreude...

No caso da política eu continuo a preferir o similar nacional, que começa com "f", mas pensando bem... dizer a mesma coisa em alemão é, ou não é, muito mais chique? Schadenfreude!

(fonte: Internet)

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Papai Noel do Mal





O fim da CPMF, tributo único no planeta cujo ônus se opera difusamente na cadeia produtiva, longe de significar uma perspectiva de corte de gastos públicos ou de se acelerar a reforma tributária, foi comemorado pela multidão de contribuintes brasileiros de forma efêmera. Tão efêmera quanto o estouro de uma champanhe ou quanto os fogos de artifícios do ano novo.

Não é de se comemorar entretanto o que se passa nos gabinetes do Poder. Mais uma vez se constata que nunca na história deste país um presidente proferiu tantas inverdades. Isso porque, em entrevista à Folha de São Paulo, nos suspiros finais do ano velho, Luís Inácio anunciava que não haveria pacote ou aumento de tributos para compensar a perda da receita com o fim da CPMF.

Belo pacote esse papai noel metalúrgico nos legou, antes que se desmontasse a árvore no Dia de Reis. Presente tardio e indigesto. E, acima de tudo, muito indesejado...

 
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