sábado, 21 de julho de 2007

Sem Perdão



"Aos que possam ainda assim sentir-se atingidos pela minha atitude, apresento minhas desculpas" (Marco Aurélio Garcia)



O Editorial de hoje de "O Estado de São Paulo" sintetiza:

"A imagem mais chocante exibida pela televisão, depois daquelas do inferno no prédio onde explodiu o Airbus da TAM, foi a dos gestos obscenos com que o assessor presidencial Marco Aurélio Garcia e um auxiliar reagiam à reportagem do Jornal Nacional sobre os problemas mecânicos no sistema de freios da aeronave, o que poderia ter causado a tragédia de Congonhas.

A cena, captada por um cinegrafista da TV Globo, choca menos pela vulgaridade das raivosas expressões de desforra de um graduado assessor do presidente e de um dos seus subordinados do que por evidenciar a despudorada torcida do círculo íntimo do presidente da República - a começar dele próprio, decerto - para que a apuração das causas da catástrofe não revele a verdade inconveniente para o governo.

Essa preocupação, ficou claro, se sobrepõe ao seu alegado desejo de que a investigação conduza à verdade dos fatos, sejam quais forem. O espectro que assombra o Planalto é o da comprovação de que o desastre não foi uma fatalidade, ou o que os matemáticos denominam "evento discreto", que se contém em si mesmo sem guardar relação alguma com quaisquer outros.

É vital para o lulismo que se conclua que o horror da terça-feira e a crise aérea que atormenta o País há 10 meses - por gritante incapacidade do governo para resolvê-la - não têm qualquer relação de causa e efeito. Mas, nesse sentido, há elementos de sobra para se afirmar que as grosseiras expressões mímicas de vingança jubilosa mostradas no Jornal da Globo são, no mínimo, precipitadas.

A admissão da TAM de que estava com defeito o reversor de um reator do Airbus, usado para reduzir a velocidade dos aviões no solo, de forma alguma elimina a hipótese de que a causa primária do desastre foi o estado da pista onde o jato havia pousado normalmente. O fato indiscutível é que, tendo tocado o chão no lugar certo e na velocidade apropriada, o aparelho deslanchou e foi se deslocando para a esquerda.

Uma coisa e outra podem ser atribuídas à água acumulada na pista, como em geral acontece quando um carro derrapa. É o que deve ter levado o piloto a tentar arremeter, ao se dar conta de que o Airbus não se deteria antes do fim da pista de exíguos 1.939 metros. Com um reversor ligado e outro "pinado" (imobilizado), o procedimento fracassou, consumando-se a tragédia.

Em suma, não estivesse a pista um "sabão", como compararam vários pilotos, muito provavelmente o avião não teria deslanchado ou o problema seria manejável, apesar do reversor. E não fosse a Infraero o desastre que é, não teria liberado indevidamente a pista - perigosa mesmo seca para aviões do porte de um Airbus, por ser muito curta - para uso até sob chuva, embora ainda desprovida dos sulcos para o escoamento da água.

Além disso, a estatal espalhou a patranha de que a pista foi reaberta com base em um laudo favorável do Instituto de Pesquisas Tecnológicas da USP.

Mas esse antro de incompetência, politicagem e corrupção não existe num vácuo. É um elo da caótica cadeia de órgãos federais responsáveis pelo colapso do controle da aviação civil no País, sob o (des) governo de um presidente da República cujo despreparo e inapetência para o trabalho duro se afiguram insanáveis - quando não fatais. Daí a incapacidade do governo de "eliminar a presença, no sistema de transporte aéreo brasileiro, de fatores estruturais, que geram riscos enormes, inclusive de queda de aeronaves", como reivindica o governador paulista José Serra em circunstanciado documento enviado a Lula.

E daí a impossibilidade de considerar a tragédia do Airbus uma fatalidade imprevisível: era, sim, um desastre à espera de acontecer.

Só não se esperava que o mais loquaz dos presidentes brasileiros até onde a memória alcança ficasse com a língua presa desde a catástrofe até a noite de ontem. Aturdido pela segunda ocorrência do gênero na sua gestão, quando mal começava a se recobrar das vaias ouvidas na abertura do Pan, Lula delegou a um porta-voz até mesmo os pêsames às famílias das vítimas, não se apresentando em rede nacional - ainda que só para isso - na própria terça fatídica.

Nunca antes ficara tão escancarada a sua inaptidão para lidar com o que o contraria. E pensar que, aos 10 meses de apagão aéreo, ele continua pedindo "respostas rápidas" para o descalabro. Seria risível, não fosse trágico."

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Senhor Assessor:

Parafraseando seu discurso: "O sentimento que a nação extravasa em público foi e é de repúdio àqueles que trataram e tratam sordidamente de se aproveitar da postura política e partidária que paranoicamente vê oposição sistemática a um 'governo duas vezes eleito pela imensa maioria do povo brasileiro' à custa da comoção que o país vive."

No mínimo causa indignação a qualquer um que tenha um leve resquício de amor pela Pátria e sensibilidade pelo sofrimento alheio sua lamentável atitude em ferrenha defesa de seu incompreendido partido, Senhor Assessor.

Estou dentre aqueles que se sentiram atingidos pela sua "sórdida" atitude. E, saiba, absolutamente nunca aceitarei seu - inócuo, esdrúxulo e patético - pedido de perdão... Eu e essa imensa maioria que não pretende mais votar nesse governo!

2 comentários:

Dan disse...

Desculpas? Só pode ser mais uma piada né?
Eu fico imaginando as famílias das vítimas assistindo àquela cena. Se eu já fiquei indignado, imagina elas.

Em tempo, eu nunca votei nem nunca votarei nesse partido.

Live Earth disse...

Estão vomitando na cara dos brasileiros. Eu não voto mais, nunca mais nesse PT (partido dos trambiqueiro)

 
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