sexta-feira, 21 de outubro de 2005

Saudades Tributárias



Hoje não fui trabalhar...

Desencanto com o ser humano, com os profissionais do Direito.

Arrependimento de ter escolhido ser advogada...

Perplexidade por não poder mudar o mundo.

Arcando literalmente com a dor de carregar nas costas uma função pública...


Hoje quis esquecer de tudo..


Quase perto de casa, travessa da marginal Pinheiros, descendo pela Avenida Juscelino Kubitschek, deparei-me com uma rua nova.

Rua Geraldo Ataliba.

Foi inevitável lembrar-me de meu orientador do Mestrado.


Se todo o ser humano tem um pouco de divino, a parte humana do mestre evocava o fumante inveterado, o terno amarrotado, os cabelos despenteados, o olhar sedutor.

Mas foi a parte divina de Geraldo Ataliba, aquela que deduzia que a injustiça social decorria tão somente da desobediência ao princípio federativo, que me fez lembrar do grande tributarista com saudades.

Chorei. Uma vez mais convenci-me de que somente Deus é justiça. Deus privou Geraldo de ter que vivenciar a decadência absoluta dos valores em que acreditava.


Um comentário:

Gilda Seabra disse...

Hoje é 15 de novembro de 2.005. Lembro-me com clareza dessa mesma data, dez anos atrás, quando vivíamos num tênue fio de esperança de que não perdêssemos nosso mestre maior. Aquele que soubera, como ninguém, ser professor, amigo, conselheiro, agente provocador, enfim, alguém imprescindível, absolutamente indispensável para se ter ao lado e de quem queríamos estar, também imprescindivelmente ao lado.
Falo de Geraldo Ataliba. Falo do meu professor, mas sobretudo falo de um ser humano ímpar. Daquele por quem vivemos dias da mais absoluta tortura dez anos atrás; tentando com orações e atuações terrenas, segurá-lo conosco por muito mais tempo ainda.
Não foi possível.
Deus, em seus desígnios, resolveu chamá-lo para junto de Si. Talvez por necessitar de alguém tão humano, tão justo, tão correto, mas sobretudo com muito senso de humor, jovialidade e inquietação. É; o espaço Celestial, certamente está muito mais alegre com sua presença, mas não mais tão tranquilo como antes de sua chegada.
Não temos ainda a possibilidade de saber o motivo, mas certamente, um dia viremos a saber qual foi e porque nos foi tirado alguém que tanto nos era caro e que tanto faz falta hoje, dez anos depois e como fará para sempre.
Tristeza pela sua ausência. Dor pela sua partida tão precoce.
Saudade diária e constante.
Até um dia, Professor Geraldo.

 
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